Puppy, de Jeff Koons
"24.
Esta banalização traduz-se num meio-termo e num meias-tintas mais para
distrair. Ficamos embasbacados e divertidos como num parque de diversões
transposto de uma Disneylândia. Por exemplo, Puppy de Jeff Koons. Obra
pletórica – como muitas outras dele de muitos outros artistas – inflada,
descomunal, mais parecendo um brinquedo elevado a enormes dimensões, ou como
alguns outros objectos espelhados construídos com bolas coloridas ou prateadas
semelhantes às de uma árvore de Natal."
"25.
Mas observemos o gigantesco Puppy (1992) de Jeff Koons, enorme escultura
com flores instalada no “espaço exterior” do Museu Guggenheim de Bilbao. Na
realidade ela representa um Terrier West Highland, um cão de raça
minúscula. Embora esta peça tivesse origem no seu protesto por não integrar a Documenta
de Kassel em 1992, considerando consequentemente esta cidade como uma
Disneylândia, do nosso ponto de vista a obra não deixa de ser – no seu pretenso
puro espelhismo crítico que acaba por ser acrítico por não vibrar a distância
de uma reflexão mais aprofundada – um objecto mais propriamente,
reificadamente, de Disneylândia. Joana Vasconcelos recai por vezes um pouco
nisso, num kitsch assumido que se deixa capturar no seu mero reflexo,
como em Koons e muitos outros."
Luís de Barreiros
Tavares, Amadeo de
Souza-Cardoso – A Força da Pintura (arte, ressonâncias modernas e
contemporâneas), Prefácio
de José Martinho, Ed. MIL, Lisboa, 2017, p. 86.


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