sexta-feira, 22 de março de 2019

Puppy, de Jeff Koons – Um objecto mais propriamente, reificadamente, de Disneylândia...


                                                              Puppy, de Jeff Koons


"24. Esta banalização traduz-se num meio-termo e num meias-tintas mais para distrair. Ficamos embasbacados e divertidos como num par­que de diversões transposto de uma Disneylândia. Por exemplo, Puppy de Jeff Koons. Obra pletórica – como muitas outras dele de muitos outros artistas – inflada, descomunal, mais parecendo um brinquedo elevado a enormes dimensões, ou como alguns outros objectos espelhados construí­dos com bolas coloridas ou prateadas semelhantes às de uma árvore de Natal."

"25. Mas observemos o gigantesco Puppy (1992) de Jeff Koons, enorme escultura com flores instalada no “espaço exterior” do Museu Guggenheim de Bilbao. Na realidade ela representa um Terrier West Highland, um cão de raça minúscula. Embora esta peça tivesse origem no seu protesto por não integrar a Documenta de Kassel em 1992, considerando consequen­temente esta cidade como uma Disneylândia, do nosso ponto de vista a obra não deixa de ser – no seu pretenso puro espelhismo crítico que acaba por ser acrítico por não vibrar a distância de uma reflexão mais aprofun­dada – um objecto mais propriamente, reificadamente, de Disneylândia. Joana Vasconcelos recai por vezes um pouco nisso, num kitsch assumi­do que se deixa capturar no seu mero reflexo, como em Koons e muitos outros."

Luís de Barreiros Tavares, Amadeo de Souza-Cardoso – A Força da Pintura (arte, ressonâncias modernas e contemporâneas), Prefácio de José Martinho, Ed. MIL, Lisboa, 2017, p. 86.



                                   O cacilheiro de Joana Vasconcelos Bienal de Veneza, 2013)

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